20 de out de 2016

O que é Transtorno do pânico?

O transtorno do pânico é uma doença que atinge homens, mulheres e até crianças. Muitas vezes, não é diagnosticado porque seus sintomas se assemelham a outros problemas médicos, como, por exemplo, o enfarte do miocárdio, e, quando não percebido, leva o paciente a ter gastos com uma série de exames e consultas com vários especialistas. Entre três pacientes com pânico, apenas um está em tratamento. Os homens, principalmente, demoram, em média, três anos para procurar ajuda. 


Em muitos casos, o transtorno surge após um período de estresse, e, normalmente, o paciente lembra-se bem da primeira crise, associando sua causa ao local. 

O pânico é diferente de fobia, porque ataca sem ter um estímulo, enquanto, na fobia, o paciente sabe do que tem medo. Por exemplo: quando o indivíduo tem claustrofobia (medo de lugares fechados, como elevador), evita esse medo subindo por escadas. No caso do pânico, não se sabe o porquê do pavor. Simplesmente, de um momento para outro, sente-se um mal-estar terrível, acompanhado de medo irracional. Tem-se a impressão de estar ficando louco - a ponto de fazer uma besteira -, sensação de morte e a vontade de fugir. Acha-se também, durante o ataque, que se está morrendo do coração ( enfarte) ou sofrendo de problemas respiratórios. Além desses sintomas, outros podem aparecer, como taquicardia, dispneia, sudorese, ondas de calor ou frio, rubor, formigamento nas mãos ou pés. Parece que se está sonhando; tem-se a sensação de balanço e torpor; enfim, todos esses sintomas, ou quase todos, podem surgir, levando o indivíduo, em geral, a procurar atendimento médico logo nas primeiras crises. 

Outra característica do transtorno do pânico é o fato de que a pessoa, depois de algumas crises, fica tão traumatizada que desenvolve uma ansiedade de antecipação, que a leva a pensar: "Quando terei a próxima crise?". Um paciente meu, executivo de 38 anos, parou um Boeing, prestes a decolar, na cabeceira do aeroporto de Congonhas, pois havia sofrido a primeira crise naquela semana e teve a impressão de que outra iria ocorrer à bordo, no trajeto a Maceió. 

Esse exemplo serve também para mostrar ao leitor que outra característica da doença é a preocupação constante do paciente em evitar lugares ou ambientes dos quais a fuga imediata é impossível. No caso desse executivo, ele confessou: e se me der a crise no começo do voo? Quem vai socorrer-me? O avião não vai descer no primeiro aeroporto para me salvar. E eu? O que faço? Com certeza, será fatal!". Assim procede o pensamento do paciente, que, diante de uma crise, sente tanto medo que lhe dá um "branco", não conseguindo nem pensar. As crises costumam ser curtas, mas o paciente vive-as como uma eternidade. Ele só melhora quando aparece alguém da sua confiança e o leva para casa, que, nesta altura, funcionaria como um útero protetor. 

Caso as crises continuem, alguns pacientes podem desenvolver hipocondria ou certos tipos de fobia, sendo a mais comum a agorafobia (medo mórbido de lugares abertos, longe de casa). Quando a pessoa tem duas ou mais crises semanais, num período de 21 dias e com os sintomas citados, é o momento de procurar um psiquiatra, (de preferência) ou um clínico. 

Faz-se importante salientar que o uso de drogas ilícitas e algumas lícitas, como o café, também podem desencadear o transtorno do pânico. As causas parecem ser diversas, como: antecedentes hereditários; estresse; fatores pessoais, ambientais, biológicos e/ou bioquímicos, cerebrais. Normalmente, os pacientes já apresentavam sintomas de ansiedade na infância e na adolescência, podendo o pânico também estar associado à depressão e à ansiedade. 

Logicamente, o médico fará um bom exame clínico, pois algumas patologias podem trazer sintomas semelhantes, como, por exemplo, hipertireoidismo. Outro dado importante é que os pacientes parecem viver em estado de constante alerta. É como se uma catástrofe sempre estivesse prestes a acontecer desde sua infância. Diante de qualquer alteração física, esses indivíduos interpretam-na, erroneamente, como "a morte" e montam uma "guarita" para controlar possíveis alterações no corpo, vivendo, assim, uma constante ansiedade. 

Esse dado parece brando antes de surgir o pânico e muito forte após o seu aparecimento. Pacientes que cresceram sozinhos afetivamente, cujo ambiente na infância não foi muito protetor, ou, se foi, por qualquer deficiência não o sentiram como tal, ou vivenciaram a separação traumática dos pais, ou mesmo sofreram agressões, podem crescer com uma mente assustada. Todos esses fatores, em conjunto, predispõem ao desenvolvimento do transtorno do pânico. 

Quando tal patologia não é tratada, as complicações podem ser desde a perda do trabalho até a separação conjugal, pois o paciente, ao recusar-se a sair de casa, às vezes até ao rejeitar festas, evitar relações sexuais e mergulhar em um constante desânimo, pode levar o cônjuge a concluir que há má vontade, falta de amor e desinteresse pelo casamento, rompendo a relação. Por esse motivo, os parentes das pessoas que sofrem o transtorno do pânico devem tomar conhecimento da doença. 

Tratamento 

Em primeiro lugar, procure um médico para examiná-lo, a fim de dar o diagnóstico. Em se tratando do transtorno do pânico, ele, com certeza, prescreverá medicação adequada, até associando outros medicamentos, caso haja insônia, ansiedade e depressão (normalmente presentes). 

Segundo, tenha paciência. O medicamento para o pânico demora, em geral, três semanas para começar a fazer efeito. Se não fizer, volte ao médico para nova avaliação e possível troca de medicamentos. Por isso, cuidado! Muitos pacientes, não conhecendo esse detalhe da demora em surtir resultado, abandonam o tratamento, tornando crônico o problema. 

Saiba que o tratamento é bem otimista. Você terá possibilidade de voltar a levar uma vida normal. Assim, colabore com seu médico! 

Procure, ainda, iniciar uma psicoterapia com profissional experiente em transtorno. E não deixe de comunicar a seus familiares próximos para que conheçam a doença e possam ajudá-lo. 

Outro fator que costuma auxiliar no tratamento é a prática de uma atividade física leve, que produzirá endorfinas, substâncias responsáveis pelo nosso bom humor, o que ajudará a restabelecer os prováveis distúrbios de neurotransmissor presentes no transtorno do pânico. Antes de realizar qualquer atividade física, procure orientação de um médico e de um professor de Educação Física e siga-as! 

O que fazer diante de uma crise?

Geralmente, quando uma crise ocorre, o paciente fica apavorado, sem saber o que fazer. Caso você esteja em crise, saiba que está hiperventilando, ou seja, respirando rápida e erroneamente, o que aumenta a ansiedade. Procure, diante da crise, harmonizar a respiração da seguinte forma: 

• Inspire lenta e profundamente. Segure um pouco o ar nos pulmões e solte-o devagar. Repita esse exercício até a crise passar. Quando estamos diante de uma crise de pânico ou de ansiedade, o medo sempre faz vizinhança com a respiração alterada; eles estão de mãos dadas. Caso seja normalizada a respiração, a crise tende a diminuir, e você ficará mais tranquilo. 

• Procure relaxar todo o seu corpo, desde aponta do pé até os músculos da cabeça. Evite ter pensamentos do tipo: “Estou morrendo! Um enfarte! Derrame!”. Não alimente tais pensamentos mágicos e irreais, pois eles só atrapalham. 

• Acredite que as crises chegam e também vão embora. 

Caso não obtenha sucesso com a aplicação desses procedimentos, ligue para alguém em quem você confia e que lhe transmita segurança. Porém, tente aplicar estas técnicas, pois, quando as dominar, irá sentir-se melhor e autoconfiante. Isso é essencial para sua recuperação. Diante da crise, diga: "É uma perturbação! É meu lado perturbado agindo. Sei que estou sendo tratado e, vou melhorar". 

Reforço que o bom humor auxilia quem tem transtorno do pânico, depressão, ansiedade, estresse, fobias, ou seja, ele é essencial em praticamente todas as situações de nossa vida, pois ajuda a relaxar, provocando transformações químicas cerebrais saudáveis para as nossas emoções. Lembre-se: "Rir é o melhor remédio". 

Para os portadores de hipocondria e tanatofobia (medo mórbido da morte) -que são complicações, derivadas do transtorno do pânico, da depressão, do estresse etc., segue uma anedota para começar a melhorar o seu humor: 

Dois amigos, jogadores profissionais de futebol (um do Flamengo, o outro do Corinthians), eram amigos desde a infância e tinham algo mais em comum: eram hipocondríacos e possuíam um medo enorme da morte. Outra coisa: o futebol era a única habilidade dos dois, ou seja, eles não sabiam fazer mais nada na vida. 

Certa vez, firmaram um acordo: quem morresse primeiro se comprometeria a voltar para avisar sobre a existência de vida após a morte e, ainda, se havia jogos de futebol no Céu. E continuaram, cada um, a levar a sua vidinha. 

Até que, enfim, chegou o tão temido dia: o jogador do Flamengo morreu, deixando o amigo corintiano em desespero, pois pensava que, a qualquer momento, receberia a visita do Além -que, contudo, não vinha. 

Passaram-se meses, anos, até que, um dia, quando estava fazendo a barba, o jogador do Corinthians viu, pelo espelho, a imagem do amigo falecido entre nuvens e com a camisa do time do coração. 

Pálido e trêmulo, escutou a voz que já lhe fora tão familiar: “Calma, amigo! Vim apenas cumprir o nosso acordo, lembra-se? Realmente, existe vida após a morte e no Céu há jogos de futebol, até campeonatos. Por falar nisso, você está escalado para o jogo de quarta-feira à noite!”. 

"Nós acreditamos mais no que tememos do que naquilo que desejamos." Fagus 


"O medo é o microscópio do perigo." Autor desconhecido

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