3 de jan de 2013

Síndrome do Pânico Tem Cura

Coração disparado, falta de ar, dormência ou formigamento pelo corpo, suor nas mãos ou pés, palidez, vistas escuras, boca seca, tontura e náuseas. Sensação de morte, infarto ou derrame. Vontade de sair correndo. Esses são alguns sinais ou sintomas de uma doença que tem acometido muitas pessoas: transtorno ou síndrome do pânico, um mal que atinge especialmente os jovens, mais mulheres do que homens, segundo estudiosos. As donas de casa Ana Maria, 37 anos, e Andrea, 39; a estudante Daniela, 15, e o conferente João, 40, tiveram essa doença e descobriram que é possível libertar-se dela.


De acordo com a psicóloga Rita de Cássia Pedrosa Galvão da Silva, a palavra pânico é definida como uma sensação de medo tão intensa que é capaz de entorpecer o indivíduo e privá-lo do autocontrole.

"Dez por cento da população pode sofrer crises sem motivo aparente. Porém, aproximadamente 2,5% dessas pessoas sofrem ataques repetidos, o que leva a alterações no comportamento e ao surgimento de um medo intenso de que as ocorrências se repitam. Muitos pensam que vão enlouquecer", explica.

"A longo prazo, 60% dos portadores de transtorno do pânico apresentam depressão, e 12% tentam suicídio". Segundo ela, o diagnóstico da doença é feito quando a pessoa é acometida por mais de quatro episódios em um mês. "As crises são frequentes e, muitas vezes, ocorrem várias no mesmo dia. A duração de um episódio de pânico varia, mas, tipicamente, leva de 30 minutos a 1 hora", explica. "Geralmente, depois da primeira crise, ocorrem outras que vêm e passam. A partir de então, em um período que se estende de um até cinco anos, uma série de consequências começa a manifestar-se. Uma pessoa que era tranquila se torna tensa; se possuía uma personalidade relaxada e autoconfiante, fica insegura e leva uma vida mais restrita", comenta.

O que fazer nas crises?

Segundo a psicóloga, é muito importante que o paciente adquira a capacidade de saber respirar corretamente na hora da crise: "Nesse momento, o indivíduo respira de forma superficial, o que acaba por mudar a composição química do sangue, que passa a ser interpretado pelo cérebro como uma situação de emergência, gerando mais e mais crises de pânico", alerta Rita de Cássia.

O apoio de amigos e familiares também é funda mental para quem sofre da síndrome. "Sempre considere que a pessoa que tem pânico possui a doença, mas tem vontade própria. É preciso proporcionar um ambiente de paz para quem padece desse mal, incentivar na busca e continuidade do tratamento, não sacrificar sua vida em função de quem tem o transtorno, ter paciência e aceitar as dificuldades de quem é acometido por ele", lembra-se Rita de Cássia.

Diagnóstico e tratamento

Rita de Cássia lembra-se de que há casos de remissão espontânea da doença. "Isso foi percebido em algumas pesquisas em mulheres no período gestacional, porém, o mais notório é a diminuição gradativa da sintomatologia do pânico, quando se leva o tratamento a sério", orienta a psicóloga, salientando, no entanto, que a terapia para o transtorno não cura o pânico, apenas suprime os sintomas e permite que o paciente tenha uma vida normal. "O tratamento mais indicado é o medicamentoso, com o uso dos antidepressivos e a psicoterapia, em especial a terapia cognitivo-comportamental, que visa à mudança de hábitos e, ainda, à exposição do portador da doença a situações que possibilitem o desencadear de uma crise, na tentativa de reduzir os sintomas", acredita.

Testemunhos de Cura

A dona de casa Andrea sofreu por dez anos com a doença, que surgiu 15 anos depois de ela presenciar uma jovem sendo assassinada. "O médico falou que foi devido ao trauma. Desde então, fiquei com medo de polícia, das pessoas e de sair sozinha. Então, eu me isolei. Não tinha vontade de nada nem de receber ninguém em minha casa. Por várias vezes, ouvia vozes falando que eu devia me matar", relata.

Para livrar-se da doença, Andrea teve o apoio dos filhos, do marido - o motorista Sebastião, 60 anos -, e da mãe, a doméstica Edevanici, 61. "Falei diversas vezes à minha mãe que não aguentava mais, e ela me acalmava, garantindo que eu seria curada por Deus", lembra-se. "Ela dizia-me que não vivia, apenas vegetava; mas eu afirmava que, em Nome de Jesus, ela ficaria boa, pois eu buscava por isso nas campanhas da Igreja", conta Edevanici. "A força do Senhor foi maior, e a certeza de que Ele iria me curar também era grande", diz Andrea, a qual superou a doença. "O Espírito Santo foi agindo em mim, e tudo se resolveu. Deixei de ficar tensa e não penso mais em coisas ruins", testemunha.
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"Eu tinha quase 23 anos quando comecei a desenvolver os sintomas da síndrome do pânico. Eu suava frio, tremia e não queria sair de casa. Também tinha pavor de altura e, quando chegava a um local muito alto, não conseguia permanecer nele. Minhas vias respiratórias fechavam, e vinham os maus pensamentos para que eu me jogasse. Também não podia ficar com nada perigoso nas mãos, como faca ou agulha. Era uma sensação muito ruim. Passei cinco anos tomando antidepressivos e calmantes, até que encontrei um homem, o qual se tornou meu marido. Ele, que já era evangélico, convidou-me para ir à Itália, de onde ele era, e eu fui curada lá. Como não tinha igreja evangélica perto, eu lia a Bíblia que havia levado, e ele me ajudava a entender os versículos. Em minhas orações, pedia muito a Deus que me livrasse daquilo. Quando estava muito atacada, meu esposo orava por mim. Assim, fui sendo liberta da doença. Os sintomas foram passando, e eu me curei. Depois de cinco anos enferma, libertei-me de tudo!" Ana Maria, dona de casa, 37 anos
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Quando a doença acometeu o conferente de mercadorias João, ele pensava que estava sendo perseguido a todo instante. "Era final do ano, e saí para fazer compras de Natal. De repente, um celular começou a tocar, mas não era o meu nem o da minha mulher. Então, percebi que alguém tinha colocado um em nossa bolsa. A partir daquele momento, fiquei com medo de sair na rua, pois achava que alguém estava me perseguindo e queria fazer alguma maldade. Minha vida tornou-se um tormento. Meu coração acelerava, e eu tremia todo", relata.

João também credita a Deus sua melhora. "Passei a buscá-lo em orações, na Igreja e em casa, pedindo sempre uma direção. Fui melhorando, voltei a trabalhar e, hoje, só tenho confiança no Senhor. Ele cuidou de mim até agora, e peço que continue me dando vitórias", diz João.
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"Aos seis anos, vi um assalto em um ônibus, e o medo se instalou. Quando andava nesse meio de transporte, quase desmaiava. Tinha tontura, e o coração acelerava, temendo ser assaltada. Chorava em casa e não queria ir para a aula. Preferia ir ao cemitério, pois achava que era mais tranquilo. Quando eu ia dormir, imaginava que morreria e, por isso, minha mãe tinha de ficar ao meu lado até eu adormecer. Tentei me matar duas vezes: tomei um monte de antidepressivos em uma ocasião e também tentei cortar os pulsos, mas minha mãe chegou na hora.

Desde pequena, ia à igreja forçada pelos meus pais. Durante as minhas crises, o pastor orava por mim e comecei a ter mais forças. Eu estava muito mal, desanimada e tão cansada, que meu coração amoleceu e passei a entender a Palavra de Deus. Foi quando disse para minha mãe: 'Quero me curar! Não quero mais ficar assim!' E passei a frequentar os cultos por vontade própria. De repente, comecei a andar de ônibus sem medo ou angústia. Estava liberta!" Daniela, 15 anos, Porto Alegre.

Opinião: Você acha que a síndrome do pânico pode ser um problema espiritual?

"Sim, porque, ao sofrer dessa síndrome, a pessoa está sem paz de espírito em consequência da falta da alegria da salvação". Marcos, 32 anos, assistente fiscal

"Sim, pois está ligada à área espiritual. Eu já passei por esse problema durante nove meses, quando não tinha Jesus, e posso afirmar que a pessoa fica prisioneira do seu próprio medo. Hoje, sei que não devemos temer nada, pois Deus está conosco". Gercina, 48 anos, dona de casa

"A síndrome do pânico pode ter causa espiritual, mas é também um problema psicológico. O medo é uma defesa contra o perigo, mas, quando vira doença, o mal pode se aproveitar dessa situação para destruir o indivíduo". Irineia, 41 anos, enfermeira

"Acredito que sim. A ausência de confiança amedronta. Quando se perde a confiança no Criador, a pessoa pode vir a se sentir sozinha e desprotegida, dando brechas para esse mal sobrevir. Entretanto, se ela tiver conhecimento da Palavra de Deus, este e qualquer mal será exterminado". Zilanda, 34 anos, cantora

Socorro sempre presente

A certeza de que o Senhor é o nosso socorro sempre presente, de acordo com o Pr. Roberto Dias, faz muita diferença quando se enfrenta o problema. Segundo ele, não há, genuinamente, relato bíblico que se caracterize por pânico, porém o pastor cita a passagem em que os discípulos de Cristo O confundiram com um fantasma em meio a uma tempestade no mar, desconhecendo-O como o Autor de milagres. "Quando soube que era Jesus, dizem as Sagradas Escrituras que Pedro começou a andar sobre as águas. No entanto, ele sentiu um vento forte no rosto, viu o tamanho das ondas, teve medo e começou a afundar. Na hora, pediu ao Senhor que o salvasse, e foi atendido. Jesus ordenou ao vento e ao mar que Lhe obedecessem, e veio a bonança", lembra o pastor.

Passado o susto no mar, o Mestre disse: Homem de pequena fé por que duvidaste? (Mateus 14, versículo 31b). É como se, ao sermos atacados por uma súbita tempestade, fosse difícil enxergar Jesus, da mesma forma que os discípulos não O enxergaram - e até O confundiram. "Tudo pode começar com o problema da demora, o qual gera ansiedade; depois, com frustrações, estresse e, por último, a falta de perspectivas e a ausência de reação. A síndrome do pânico domina os que se entregam e não perseveram, mas o Senhor nos socorre, não importando onde ou como virá a enfermidade", observa.

Fonte: Jornal Show da Fé de janeiro de 2010, nº45, ano 4





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